ROTEIROS

Diversos Roteiros

O Brilho da Pérola

autor
Fernando Antonio de Medeiros

Fragmentos de memórias de um menino e sua visão lúdica na descoberta da sociedade, suas virtudes e seus vícios

famrio@gmail.com
 55 84 98178 3723



1 EXT. RUA - MEIO FIO - DIA
FADE IN DO BRANCO)
PEDRO
Pérola em primeiro plano, céu ao fundo, câmera em contra
plongé, menino moreno, com cerca de 4 anos, com traços
indígenas e olhos rasgados , entra em cena. Seus olhos
brilham . Ele a pega, com a ponta dos dedos, deposita na
palma da outra mão e a aproxima do rosto. Seu olhar
penetra o brilho da pérola.
FUSÃO PARA:
2 EXT. RUA - FRENTE DA CASA - DIA
PEDRO;MÃE;ANTÔNIO PAI;MOTORISTA TAXI
Dentro do brilho surge uma vila operária de casas
geminadas,idênticas, estilo europeu, em uma rua com
calçamento de paralelepípedos, um táxi está parado em
frente a uma das casas, mulher morena com cabelos negros
(mãe)e criança com cerca de quatro anos(Pedro), os dois
bem vestidos, como que chegando de viagem, portando
bagagem de mão, descem do veículo. O motorista do
taxi retira a bagagem maior da mala do carro. O menino é o
primeiro a descer do carro e fica olhando para o
motorista que tira a bagagem da mala do carro. Ela desce
elegantemente do carro,
arruma a saia rodada e olha para Antônio (Pai) que se
aproxima vindo da casa.
MÃE
Antônio, meu querido, quanta
saudade!!!
Homem moreno, de óculos, porte atlético, vestindo calça
continua
continuando (2) 2.
larga com cinto e camisa bege de manga curta ensancada,
sapatos negros, vem recebe-los à porta. Ele beija o menino
e pergunta como foi a viagem, abraça a mulher, dando-lhe
um demorado beijo de boas vindas.
ANTÔNIO PAI
Tudo bem Pedrinho? Foi boa a
viagem?
MÃE
Foi! O avião fez escala em
Maceió, Aracaju, Salvador e
Vitória, não aguentava mais bota
cinto, tira cinto. Enchi o
saquinho de papel, no litoral da
Bahia, o avião deu uma queda que
eu falei "valha-me Nossa Senhora!
Rezei muito!".
Antônio sorri e abraça a mãe e também ao filho,
encaminhando-os para a entrada da casa, enquanto pega as
malas grandes.
ANTÔNIO PAI
O litoral da Bahia sempre tem uma
turbulência. Vamos entrando. Como
vai tia Lalá? e Maria do Céu? Tem
notícias de Aidê? e Queto?
MÃE
Tia Lalá você sabe, lá nos Santos
Reis, vive daquele jeitinho que
você já conhece, da missa pra
casa, da casa pra missa...
continua
continuando (3) 3.
ANTÔNIO PAI
Sempre beata...
MÃE
Beatas né..., ela, Dudu e
Elisangela
Entram na casa, rindo e conversando animadamente
3 INT. CORREDOR DA CASA - DIA
PEDRO
Menino sai pela porta de um quarto, que mostra ao fundo as
malas desfeitas, ainda veste a roupa da chegada. Caminha
por um corredor escuro e comprido, pé direito alto, piso
de tábuas corridas, ao fundo vozes e risos dos pais que
estão no outro quarto com as portas fechadas. Passa por
outra porta que está aberta, dentro do quarto, homem
moreno com cabelos negros e rosto redondo, a barba
mal feita, está sentado em uma cama de solteiro cortando
as unhas do pé, com um cortador de unhas. Ele levanta a
cabeça e vê o menino que está parado à porta. Faz um aceno
de cabeça, e cumprimenta...
3A INT. QUARTO DO CORREDOR DA CASA -DIA
INQUILINO
Oi Pedro!
Pedro se surpreende e meio sem jeito olha para a frente
respondendo ao aceno, ao mesmo tempo em que continua a
caminhar reconhecendo a nova casa. O corredor termina na
cozinha, onde há uma porta e uma janela sobre uma pia onde
vemos um filtro de barro, um armário fechado e um fogão.
4.
4 INT. COZINHA - DIA
PEDRO; GATO
Sob a pia um gato vira-lata se insinua. O menino
acaricia-o. O gato é dengoso e se entrega ao carinho do
menino. Pedro pega o gato e o leva ao colo. Continua a sua
caminhada, com o gato em seus braços, em direção a porta
nos fundos da cozinha. Abre a porta que dá para o quintal.
5 EXT. QUINTAL - DIA
PEDRO; GATO; POMBOS; ANTÔNIO PAI
A claridade o ofusca. Ele para no topo da pequena escada
que leva ao quintal logo abaixo. Sua primeira visão é do
vulto de um pássaro pousando que passa próximo ao seu
rosto. A cena é confusa e vários pássaros voam muito
próximos, a cena vai ficando nítida e ele vê que são
vários pombos em frenesi, fazendo manobras para pousar e
outros já empoleirados em casinhas de madeira, um pombal
montado apoiado no muro embolorado que divide o quintal
com a casa vizinha. Os pombos voam mais distantes,
assustados quando veem a aproximação do menino com o gato
nos braços. O pai passa por ele em direção ao pombal onde
pega um gordo filhote de pombo (um boracho) e mostrando em
direção a porta onde está Pedro, fala para a mãe:
ANTÔNIO PAI
Maria, acho que dois destes
chegam para nosso almoço.
5.
6 EXT. ESTAÇÃO FERROVIÁRIA - DIA - ENTARDECER
ANTÔNIO PAI; MÃE; PEDRO
A mãe de mãos dadas com Pedro, caminham rápido e chegam a
estação ferroviária. O olhar da mãe procura na direção dos
trilhos o horizonte, onde se vê uma tênue fumaça da
locomotiva se aproximando e o apito avisando a chegada.
Ela procura e encontra o olhar brilhante e cumplice de
Pedro. Abre o sorriso e volta a olhar em direção aos
trilhos onde a composição já visivelmente mais próxima,
chega com estardalhaço e muita fumaça. A composição
para ao lado de Pedro e sua mãe, no meio dos vapores da
locomotiva, desce de um vagão de passageiros, todo vestido
de branco, o pai com uma maleta de couro na mão. Ao
avistar os dois, que estão a sua espera, abre largo
sorriso. Na sequência se abraçam e caminham saindo da
estação, abraçados o pai e a mãe, Pedro um pouco mais
atrás, olha admirado o entorno da estação e o trem
estacionado, olha a enormidade da locomotiva, voltando
depois o olhar para os pais que caminham conversando
alegremente.
7 INT. COZINHA - DIA
MÃE; ANTÔNIO PAI; INQUILINO; PEDRO;
GATO
Gotas de água espirram da pia, onde a mãe lava louças. A
água molha o tecido da blusa da mãe, mostrando na
transparência do tecido molhado colado a sua pele, a sua
silueta e a cor da calcinha que aparece sutilmente sob a
transparÊncia do tecido molhado. Pequenos detalhes que são
observadas atentamente pelo inquilino. Dois homens estão
continua
continuando (2) 6.
sentados a mesa, frente a pia, o inquilino, bem a vontade
de camisa de manga curta aberta no peito, bermuda e
sandália e o Antônio, já vestido todo de branco para ir
trabalhar, termina de comer e rapidamente se levanta...
ANTÔNIO PAI
Com licença! Maria vou rápido
arrumar as minhas coisas que já
estou atrasado pra ir ao
consultório.
Levanta-se e sai rapidamente da cozinha, Pedro brinca no
chão da cozinha com o gato. A mãe de Pedro começa a tirar
os objetos da mesa. O inquilino aproveita a proximidade da
mão da mãe de Pedro e a ausência de Antonio e pousa sua
mão sobre a mão dela, que retira a mão bruscamente e se
afasta irritada em direção a pia. O menino assiste a cena.
O pai retorna a cozinha, já pronto para ir trabalhar,
vestido com roupa branca e agora de óculos e carregando a
maleta de couro na mão, dá um beijo na mãe, afaga a cabeça
de Pedro, faz um aceno ao inquilino e sai.
ANTÔNIO PAI
Tchau!
PEDRO
tchau!
MÃE
tchau!
O inquilino termina de comer, dá um arroto, se levanta e
vai com seu prato em uma das mãos, em direção a pia, onde
encontra a mulher lavando a louça, com a mão livre se
prepara para apalpar uma de suas nádegas, quando Pedro
corre e se agarra a saia da mãe,ficando entre a sua mãe e
a mão do inquilino, encarando desafiadoramente o homem,
continua
continuando (3) 7.
que se recompõe e deposita grosseiramente o prato sobre a
pia, ao lado da mãe. Ato continuo a mãe se afasta dele
discretamente, continuando o que estava a fazer, levando o
que estava lavado para o lado oposto, onde estava o
inquilino. O homem sorri cinicamente olhando em direção a
mãe de Pedro, faz um afago na cabeça do menino e se afasta
em direção ao corredor. A mãe frente ao armário, olha e
faz uma careta por sobre os ombros para o homem que se
afasta, em direção ao corredor e nada vê.
8 INT. ARMARINHO - DIA
PEDRO; AMIGO DE PEDRO; COMERCIANTE
Punhal de brinquedo, de plástico colorido, na mão de uma
criança.Em um movimento brusco o punhal é enterrado no
abdomem de Pedro. Outro punhal vem em posição vertical e
se enterra na cabeça do amigo. Os dois amigos riem e
observam, empurrando com o dedo a ponta do punhal, na
tentativa de entender o mecanismo do brinquedo, eles estão
em uma loja de presentes e miudezas, um armarinho, que
vendia toda qualidade de vasilhas e utensílios de
plástico e entulhada com brinquedos, flores e vasilhas de
plástico colorido. Amigo de Pedro mostra o punhal para o
vendedor e pergunta:
AMIGO DE PEDRO
Quanto é?
COMERCIANTE É um cruzeiro cada.
Os meninos, cada um com um punhal na mão, procuram nos
bolsos o dinheiro e pagam com moedas o comerciante.
continua
continuando (2) 8.
PEDRO Agora vamos fazer justiça e
proteger os fracos e oprimidos!
O vendedor sorri e dá a volta ao balcão, caminhando em
direção aos meninos, coloca as mãos sobre os ombros deles,
levando-os em direção a porta de saída.
COMERCIANTE
Vem que o mundo bem que precisa
de justiceiros assim como vocês.
O que não falta é oprimido. Agora
vão procurar os oprimidos lá na
rua, pra não assustar a
freguesia.
9 EXT. RUA DA VILA - ENTARDECER - DIA
PEDRO; AMIGO DE PEDRO
Os dois amigos caminham pela rua da vila e alternadamente
se golpeiam com os punhais, enquanto emitem gritos de
ataque e frases repetidas dos heróis da tv
10 INT. CASA DO AMIGO - SALA NOITE
PEDRO; MÃE DO AMIGO; PAI DO AMIGO;
AMIGO DE PEDRO;
Chuvisco de tela de tv, três adultos sentados em um sofá
em uma sala olham para outro homem que mexe na televisão.
A câmera passeia pelo rosto de uma senhora de idade e um
senhor de mais idade ainda. Uma mulher mais nova com lenço
e bobs de plástico com cores berrantes na cabeça, mistura
com uma colher de pau, uma massa , em uma vasilha de
continua
continuando (2) 9.
plástico, ao seu lado as duas crianças,
Pedro e seu amigo, morador da casa, todos olham em direção
a tv.
MÃE DO AMIGO
Caramba, Otávio!vê se sintoniza
logo essa TV, que o Zorro já deve
estar começando e as crianças
estão impacientes.
Um homem de meia idade, está abaixado, mexendo nos botões
de uma tv, que está embutida em um vistoso móvel de
madeira escura, com as portas centrais abertas, a imagem é
preto e branco, entretanto, a tela é coberta por um papel
celofane multicolorido de azul, vermelho e verde,
proporcionando um estranho falso colorido as cenas.
PAI DO AMIGO
Que droga, quem foi que mexeu
nesse botão da antena, agora não
estou conseguindo sintonizar...
Finalmente a imagem aparece.
11 INT. SACADA DO ZORRO - CENA DA TV
Cena de ação de um seriado capa e espada, em estúdio, como
que transmitida ao vivo. O personagem, o Zorro, entra por
uma porta,de espada em riste, em uma pequena sacada, que
está no topo de uma também, pequena escadaria. Olha para
um lado e outro rapidamente procurando algo e avista o
bandido que foge em direção a câmera.
ZORRO
Não adianta tentar fugir seu
(MAIS...)
continua
continuando (2) 10.
ZORRO (...cont.) canalha. Vais pagar pelos seus
erros e será na ponta da minha
espada.
Ele joga a capa para trás e apoiando uma mão no corrimão
da escada e jogando as pernas, salta por sobre, com a
espada em punho, abrindo sua capa negra, que toma toda a
tela.
FUSÃO PARA:
12 EXT. RUA DA VILA - DIA
AMIGO DE PEDRO; PEDRO
Capa preta de fantasia de Zorro veste o amigo de Pedro,
que está empunhando um punhal de plástico. Segura Pedro
deitado no chão, sob o joelho
AMIGO DE PEDRO
Não adianta tentar fugir, seu
canalha. Chegou a hora ...
Quando este vai cravar o "punhal" Pedro se vira e o amigo
perde o equilíbrio e cai, rolando no chão
AMIGO DE PEDRO (...cont.)
Puta que te pariu!
Esbraveja o menino que não esperava a saída rápida de
Pedro e machucou o joelho e ralou o nariz, no chão de
paralelepipedos. Ele olha com expressão de dor para o
machucado do joelho. O punhal de plástico está espatifado
no chão com a lâmina quebrada, e a mola saltada expondo
todo o mecanismo. Sua expressão é de ódio, olha para
Pedro que está em pé rindo, olha para o chão e vê uma
pedra solta, apanha e corre para cima de Pedro, em atitude
continua
continuando (2) 11.
agressiva, com a pedra na mão. Pedro corre em direção a
sua casa que estava próxima e entra sem olhar para trás.
13 INT CASA DE PEDRO - DIA
PEDRO
Entra em sua casa esbaforido e fecha a porta, assustado.
Sua mãe aparece na porta do quarto e olha para ele.
MÃE
O que é que, está acontecendo...
No mesmo momento um vidro da janela da sala é estilhaçado
por uma pedra, que cai no chão da sala. Pelo buraco aberto
pela pedra no vidro a mãe de Pedro observa a rua.
14 EXT. RUA DA VILA - DIA
AMIGO DE PEDRO; PEDRO
Da rua o menino vê, pelo buraco do vidro quebrado, aberto
pela pedra, o rosto da mãe e de Pedro, que olham para ele
ainda da tempo de ver o menino correndo com a capa preta,
dobrando a esquina.
MÃE Seu moleque sem vergonha, vou
falar com sua mãe.
Grita a mãe de Pedro através do buraco quebrado pela pedra.
15 INT. QUARTO DA CASA DO MENINO - DIA
MÃE Seu safado, eu já não te falei
que não quero você andando com
moleque de rua.Que que você fez
para êle?
Fala a mãe, interrogando Pedro, enquanto segura o menino
continua
continuando (2) 12.
por um braço e empunha uma sandália havaiana na outra,
dando chineladas nas nádegas.
PEDRO
Ele não é moleque de rua não, é
meu amigo e mora lá no fim da
vila, ai, ai!! e eu não fiz nada
mãe, foi êle que caiu sozinho, eu
não fiz nada, a gente estava
brincando, juro...Ai!!ai!!
Mãos da mãe com a sandália havaiana sobem e descem na
tela, ela está dando uma surra no menino, que sai chorando
do quarto.
CORTA PARA:
16 EXT. CAMPO DE PELADA - DIA
JOGADORES E TORCIDA; PEDRO
Pés calçando chuteiras, arrancam a grama já rala do campo
de pelada com um chute na bola e levantam poeira, a bola
rola. Os jogadores estão uniformizados, muitas pessoas
estão ao redor do campo. Após mais um drible mais um gol,
a torcida vibra. Um pipoqueiro faz pipoca, enquanto fuma
um cigarro e ao mesmo tempo contempla o jogo. Pedro
senta- se em uma pedra próximo ao pipoqueiro, dividindo
seu olhar entre o jogo, as pipocas e o pipoqueiro fumante,
que atira a guimba do cigarro no chão. A fumaça sai do
meio da grama, os olhos do menino brilham. Ele pega
o cigarro e leva aos lábios. Dá um trago desconfiado e
tosse, tosse muito, até ficar avermelhado e as lágrimas
correrem pelo seu rosto.
continua
continuando (2) 13.
PIPOQUEIRO
Tá pensando o que moleque?
Cigarro é pra homem!
17 INT.COZINHA - DIA
PEDRO; GATO
Pelo do gato sendo acariciado por mão de criança, imagem
desfocada vai gradativamente ficando nítida com a imagem
de Pedro acariciando e brincando com o gato sob a mesa, ao
fundo a mãe de costas corta legumes preparando a comida,
alternando entre a pia e o fogão. O gato se encaminha para
a porta ao fundo, que leva ao quintal e está entreaberta.
Pedro segue o gato e o apanha nos braços já saindo para o
quintal.
18 EXT. QUINTAL - DIA
PEDRO; GATO; POMBOS; ANTÔNIO PAI; MÃE
Pedro sai ao quintal com o gato no colo, o dia está lindo,
de um azul intenso e seu olhar acompanha os pombos voando
brancos voando pelo céu, quando sua atenção se volta para
um vulto diferente, um balão estrela, enorme e
multicolorido, que gira lentamente no céu sob o céu azul,
e em lento movimento de queda vai aumentando de tamanho
vindo em direção ao quintal onde se encontra Pedro. Duas
mãos aparecem sobre o muro, nos fundos do quintal e logo
em seguida num rápido pulo, surge o rosto de um rapaz, que
some, para logo em seguida num impulso maior aparecer de
corpo inteiro, sentando em cima do muro. Olha para o balão
e fala para alguém que está além muro.
continua
continuando (2) 14.
RAPAZ 1
Ele vai cair aqui, sobe logo Zé!
O burburinho das vozes aumentam de volume e começam a
surgir, cabeças "pulantes" de outros rapazes que com
impulso maior sentam sobre o muro, agora já são vários
sobre o muro
RAPAZ 2
Traz logo o bambu!
O quintal se transformou em um mar de corpos de rapazes,
eram uns dez rapazes agitados, que haviam surgido por cima
do muro e invadiram o quintal, agora coroados por um
emaranhado de bambus, se empurravam na espera da queda do
balão, alguns sem camisa, suados e esbravejando, tentando
se posicionar no melhor local.
RAPAZ 3
Cara ele é muito grande!! Sai que
é meu!!
RAPAZ 4
Não rasga !! Não rasga !! Sai daí
Jair !!
RAPAZ 2
Se rasgar vou dar porrada!
Dois rapazes irrompem em direção ao balão, do interior
da casa passando rapidamente ao lado de Pedro, que
precisou sair da frente para dar espaço a ação. O olhar
assustado do menino contempla toda essa cena e voa para o
alto, para o balão estrela, que cai, quando seus olhos
cruzam com os rostos sorrindo, do pai, que olha para a
ação no quintal e da mãe, que olha para ele de nos olhos,
continua
continuando (3) 15.
lhe dá a mão e o ampara. Quando ele olha novamente para o
quintal, os rapazes estão ainda mais agitados e aos
gritos, alguns estão em pé sobre o muro e agitam os braços
e gritam, um frenesi crescente que atinge o seu auge na
queda do balão, já meio murcho.
RAPAZ 1
Sai que é meu!
RAPAZ 4
Não rasga! Não rasga!
RAPAZ 3
Tá na mão! é meu!
RAPAZ 2
Pega na boca da bucha!! Tá fria!
RAPAZ 1
Caracoles! Essa vara aí!
O balão é lindo, imenso e multicolorido. Cai sobre todos,
cobrindo o pequeno quintal, como uma grande colcha de
retalhos, com várias cores. Uma vara de bambu surge do
papel e atravessando o balão faz o primeiro rasgo, por
onde escapa grossa camada de fuligem, logo coberta por
mãos que tentam inutilmente dobrar o balão. A cena se
transforma numa orgia de fumaça, fuligem, corpos,
bambus, pombos e muitos papeis coloridos, picados. O balão
é completamente destruído.
FUSÃO PARA 19 EXT. RUA DA VILA - DIA
PEDRO; PEDRO ADULTO; FORMIGA
Pedro caminha pela rua pensativo, seu olhar é
continua
continuando (2) 16.
ligeiramente triste, anda em direção a esquina. Lá
chegando, senta no meio fio e seu olhar percorre o chão
de paralelepipedos a seus pés, quando uma formiga chama a
sua atenção carregando uma grande folha. O inseto entra em
uma rachadura no meio fio da calçada, sumindo do campo
visual do menino. Ele se abaixa e olha para a rachadura,
já não vê o inseto mas, no interior da rachadura encontra
uma pérola, que brilha refletindo o céu. Seu olhar brilha
de excitação. Ele a apanha com a ponta dos dedos, coloca
sobre a palma da mão. A mão que recebe a pérola já não é a
mão de um menino, mas a de um velho, com as rugas que o
tempo traz. Ele leva a pérola próxima ao rosto para
observa-la melhor. É Pedro já velho, que observa de óculos
atentamente a perola e seu olhar brilha intensamente como
a pérola. 
FADE OUT 
FIM




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